A prova cobra o mecanismo das políticas econômicas, nunca o valor volátil do dia. Pela ótica da despesa, o Produto Interno Bruto (PIB) é dado por PIB = C + I + G + (X − M): consumo das famílias, investimento (formação bruta de capital fixo), gastos do governo e exportações líquidas — exportações menos importações (IBGE — Sistema de Contas Nacionais). Crescimento econômico é a variação real do PIB.
O regime de metas para a inflação foi instituído pelo Decreto nº 3.088/1999. A meta é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), por proposta do Ministro da Fazenda, e o índice de referência é o IPCA, apurado pelo IBGE. Desde 1º de janeiro de 2025 vigora a meta contínua: meta central de 3,0% com tolerância de ±1,5 p.p. (limites de 1,5% a 4,5%), avaliada mês a mês, e não mais por ano-calendário.
A política monetária é executada pelo Banco Central por três instrumentos clássicos:
A meta Selic é o principal instrumento e é definida pelo Copom, que se reúne ordinariamente 8 vezes por ano. Distinga a meta Selic (o mecanismo, definido pelo Copom) da Selic efetiva/over (média diária que oscila em torno da meta). No canal de transmissão, elevar a Selic encarece o crédito, reduz consumo e investimento, contrai a demanda agregada e arrefece a inflação; reduzi-la tem efeito expansionista. A Lei Complementar nº 179/2021 conferiu autonomia ao BACEN, cujo objetivo fundamental é assegurar a estabilidade de preços.
A política fiscal atua por gastos e tributação: a expansionista aumenta gastos e/ou reduz tributos; a contracionista faz o inverso. O resultado primário exclui os juros da dívida; superávit primário ajuda a estabilizar a relação dívida/PIB. O arcabouço fiscal (LC nº 200/2023) substituiu o teto de gastos. No câmbio, o Brasil adota regime flutuante desde janeiro de 1999; o BACEN pode intervir (reservas e swaps) para reduzir a volatilidade — flutuação suja —, sem se comprometer a defender um valor fixo da moeda.
1. Pela ótica da despesa, o Produto Interno Bruto (PIB) de um país é calculado pela soma de quais componentes?
Pela ótica da despesa, o PIB é a soma de consumo (C), investimento (I), gastos do governo (G) e exportações líquidas (X − M); inverter o sinal de qualquer componente descaracteriza a identidade contábil. (IBGE — Sistema de Contas Nacionais (ótica da despesa); PIB = C + I + G + (X − M))
2. Um governo estadual utiliza recursos do orçamento público para construir uma nova rodovia. Na ótica da despesa do PIB, esse gasto deve ser contabilizado em qual componente?
Gastos realizados pelo setor público, como obras de infraestrutura, integram o componente 'gastos do governo (G)' na ótica da despesa; o componente investimento (I) da identidade simplificada refere-se ao investimento das empresas privadas. (IBGE — Sistema de Contas Nacionais (ótica da despesa); PIB = C + I + G + (X − M))
3. Em uma economia hipotética, observam-se no trimestre: consumo das famílias de R$ 800 bilhões, investimento de R$ 200 bilhões, gastos do governo de R$ 300 bilhões, exportações de R$ 150 bilhões e importações de R$ 180 bilhões. Pela ótica da despesa, qual é o valor do PIB desse trimestre?
PIB = C + I + G + (X − M) = 800 + 200 + 300 + (150 − 180) = 1.270 bilhões; somar exportações e importações sem subtrair (1.630) ou inverter a diferença (1.330) são erros típicos de cálculo. (IBGE — Sistema de Contas Nacionais; PIB = C + I + G + (X − M))
4. Qual é a principal diferença conceitual entre PIB nominal e PIB real?
O PIB nominal é apurado a preços correntes (do próprio período), enquanto o PIB real usa preços de um ano-base fixo, isolando a variação de volume da variação de preços (inflação). (IBGE — Sistema de Contas Nacionais (deflator implícito do PIB))
5. Analistas de mercado costumam classificar uma economia como estando em 'recessão técnica' quando se observa qual padrão de comportamento do PIB?
A convenção usual de mercado para 'recessão técnica' é a queda do PIB real em dois trimestres seguidos frente ao trimestre imediatamente anterior; não se trata de uma declaração oficial de recessão. (Convenção usual de análise conjuntural de mercado (não é definição oficial do IBGE))
6. O PIB pode ser calculado por três óticas distintas: despesa, produção (valor adicionado) e renda. Do ponto de vista teórico, o resultado obtido por essas três óticas deve ser:
As três óticas de mensuração do PIB (despesa, produção e renda) são formas complementares de medir o mesmo fluxo de valor gerado na economia e, teoricamente, convergem para o mesmo montante. (IBGE — Sistema de Contas Nacionais (óticas da produção, da renda e da despesa))
7. O PIB per capita é obtido dividindo-se o PIB total pela população do país, sendo utilizado principalmente como:
O PIB per capita (PIB dividido pela população total) serve como proxy do padrão médio de renda/produção por habitante; não mede diretamente produtividade por trabalhador nem distribuição de renda, que exigem outros indicadores. (IBGE — Sistema de Contas Nacionais; conceito de PIB per capita)
8. Desde que mês/ano o Brasil adota o regime de câmbio flutuante, em substituição ao sistema de bandas cambiais então vigente?
O Brasil passou a adotar o regime de câmbio flutuante em janeiro de 1999, abandonando o sistema de bandas cambiais; julho de 1994 marca o lançamento do Plano Real, e não a mudança de regime cambial. (Banco Central do Brasil — regime cambial (adoção do câmbio flutuante em jan/1999))
9. No regime de câmbio flutuante brasileiro, o Banco Central eventualmente realiza intervenções pontuais no mercado (como venda de reservas internacionais ou swaps cambiais) para conter a volatilidade da taxa de câmbio, sem se comprometer a defender um valor fixo para a moeda. Essa prática é tecnicamente denominada:
Quando a autoridade monetária intervém pontualmente no câmbio flutuante para reduzir volatilidade, sem se comprometer com um valor-alvo, caracteriza-se a chamada flutuação suja (dirty float); currency board e bandas cambiais são regimes distintos, com compromissos de paridade mais rígidos. (Banco Central do Brasil — regime cambial (flutuação suja / dirty float))
10. Uma empresa brasileira exportadora de commodities recebe suas receitas em dólares. Em um cenário de depreciação do real frente ao dólar, o efeito mais direto sobre essa empresa, ao converter as receitas em dólares para reais, é:
Quando o real se deprecia frente ao dólar, cada dólar recebido pela exportadora converte-se em mais reais, elevando a receita em moeda local e a competitividade do produto brasileiro no exterior. (Banco Central do Brasil — efeitos da taxa de câmbio sobre exportações (mecanismo de transmissão cambial))
11. Uma indústria brasileira importa insumos cotados em dólar para sua linha de produção. Em um cenário de apreciação do real frente ao dólar, o principal impacto esperado sobre essa indústria é:
A apreciação do real (queda da taxa de câmbio) reduz o custo em reais necessário para comprar cada dólar, barateando insumos importados e favorecendo as margens de empresas que dependem de importação. (Banco Central do Brasil — efeitos da taxa de câmbio sobre custos de importação (mecanismo de transmissão cambial))
12. A taxa PTAX, divulgada pelo Banco Central do Brasil e utilizada como referência para liquidação de diversas operações e contratos, é obtida, em sua metodologia, a partir de:
A PTAX é calculada pelo Banco Central a partir da média das cotações de câmbio coletadas junto a instituições no mercado interbancário, em janelas de consulta definidas ao longo do dia, e não por decisão do Copom ou do CMN. (Banco Central do Brasil — metodologia da taxa de câmbio de referência (PTAX))
13. Entre os regimes cambiais existentes, aquele em que a autoridade monetária se compromete a manter a paridade da moeda nacional fixa em relação a uma moeda estrangeira (ou cesta de moedas), sem permitir flutuação livre, é denominado:
No câmbio fixo, a autoridade monetária compromete-se a manter a paridade da moeda em um valor determinado, ao contrário dos regimes flutuantes (puro ou sujo), nos quais a taxa é definida principalmente pelo mercado. (Conceito de regimes cambiais (câmbio fixo x flutuante))
14. Em um exemplo hipotético, a taxa de câmbio passa de R$ 5,00 por dólar para R$ 5,50 por dólar. Qual foi a variação percentual (depreciação) do real frente ao dólar nesse período?
A variação percentual é (5,50 − 5,00) / 5,00 = 0,10, ou 10,0%; usar a nova cotação (5,50) como base no denominador, em vez da cotação inicial, leva ao resultado incorreto de 9,1%. (Cálculo padrão de variação percentual aplicado à taxa de câmbio)
15. O índice de preços utilizado como referência oficial para o regime de metas de inflação no Brasil, apurado mensalmente pelo IBGE, é o:
O Decreto nº 3.088/1999 estabelece o IPCA, apurado pelo IBGE, como índice de preços de referência para o regime de metas de inflação; o IGP-M é calculado pela FGV e não é o índice-meta. (Decreto nº 3.088/1999, art. 1º, parágrafo único; IBGE — Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor)
16. Tanto o IPCA quanto o INPC são apurados pelo IBGE a partir de pesquisas de preços ao consumidor, mas diferem quanto à população de referência coberta. Qual das alternativas descreve corretamente essa diferença?
O IPCA cobre famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos, enquanto o INPC é voltado a famílias assalariadas de renda mais baixa (1 a 5 salários mínimos); ambos são mensais e ambos medem preços ao consumidor, não no atacado. (IBGE — Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor (metodologia IPCA/INPC))
17. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil, responsável por definir a meta da taxa Selic, reúne-se ordinariamente quantas vezes por ano?
O Copom realiza 8 reuniões ordinárias por ano, conforme seu regulamento; a confusão mais comum é supor uma reunião mensal (12 vezes), o que não corresponde ao calendário oficial. (Banco Central do Brasil — Circular nº 2.698/1996; calendário/regulamento do Copom)
18. Qual é a diferença entre a 'meta Selic', definida pelo Copom, e a 'taxa Selic efetiva (over)'?
A meta Selic é o valor-alvo definido pelo Copom, enquanto a Selic over é a taxa média diária efetivamente praticada nas operações compromissadas lastreadas em títulos públicos federais, que oscila em torno da meta. (Banco Central do Brasil — definição da taxa Selic (Selic meta x Selic over))
19. Em determinado período, um governo registra receitas totais de R$ 500 bilhões, despesas totais (excluídos os juros da dívida pública) de R$ 480 bilhões, e paga R$ 60 bilhões em juros sobre a dívida no mesmo período. Qual é o resultado primário desse governo?
O resultado primário exclui os juros da dívida: 500 − 480 = superávit primário de R$ 20 bilhões; incluir os juros no cálculo (500 − 480 − 60 = −40) confunde o conceito de resultado primário com o de resultado nominal. (Lei de Responsabilidade Fiscal (LC nº 101/2000); Secretaria do Tesouro Nacional — resultado primário)
20. Diante de um cenário de desaceleração econômica e alto desemprego, um governo decide ampliar investimentos em infraestrutura e reduzir temporariamente a alíquota de determinados tributos. Essa combinação de medidas caracteriza uma política fiscal:
Aumentar gastos públicos e/ou reduzir tributos caracteriza política fiscal expansionista, cujo objetivo é estimular a demanda agregada em cenários de desaceleração; o efeito esperado é o oposto de uma política restritiva. (Teoria macroeconômica da demanda agregada; Secretaria do Tesouro Nacional — política fiscal)
21. Qual é o índice de preços utilizado como referência oficial do regime de metas para a inflação no Brasil?
O Decreto nº 3.088/1999 estabelece o IPCA, apurado pelo IBGE, como índice de preços do regime de metas; o INPC (também do IBGE) e o IGP-M/INCC (da FGV) são índices conhecidos, mas não são a referência oficial das metas. (Decreto nº 3.088/1999, art. 1º, parágrafo único)
22. No regime de metas para a inflação instituído pelo Decreto nº 3.088/1999, a meta de inflação é fixada por qual órgão, mediante proposta de qual autoridade?
O Decreto nº 3.088/1999 atribui ao Conselho Monetário Nacional a fixação da meta, por proposta do Ministro da Fazenda; o Banco Central, por meio do Copom, executa a política monetária para persegui-la, mas não fixa a meta.
23. Desde 1º de janeiro de 2025, vigora no Brasil o regime de meta contínua de inflação. Qual é a meta central e a respectiva banda de tolerância vigentes nesse regime?
A meta contínua vigente desde janeiro de 2025 é de 3,0% ao ano, com intervalo de tolerância de ±1,5 ponto percentual (1,5% a 4,5%); 3,25% correspondia a um ano-calendário anterior, e as demais bandas não correspondem à tolerância vigente. (Conselho Monetário Nacional (decisão de 2024); Decreto nº 3.088/1999 e alterações)
24. Em relação ao sistema de metas por ano-calendário adotado até 2024, qual é a principal mudança trazida pelo regime de meta contínua de inflação, vigente desde 2025?
A mudança central do novo regime é a avaliação contínua (mês a mês) do cumprimento da meta, substituindo a apuração ao final do ano-calendário; a fixação da meta pelo CMN, o índice IPCA e a banda de tolerância permaneceram. (Conselho Monetário Nacional / Banco Central do Brasil — regime de meta contínua de inflação)
25. Um assessor de investimentos explica a um cliente a divisão de competências na condução da política de metas de inflação no Brasil. Qual afirmação está correta?
O CMN fixa a meta, por proposta do Ministro da Fazenda, e o Banco Central, autônomo desde a LC nº 179/2021, conduz a política monetária por meio do Copom para persegui-la; as demais alternativas invertem ou distorcem essas competências. (Decreto nº 3.088/1999; Lei Complementar nº 179/2021)
26. De acordo com a Lei Complementar nº 179/2021, que conferiu autonomia ao Banco Central do Brasil, qual é o seu objetivo fundamental?
O art. 1º da LC nº 179/2021 estabelece a estabilidade de preços como objetivo fundamental do Banco Central; a fixação da meta cabe ao CMN, e crescimento do PIB e equilíbrio fiscal não são o objetivo fundamental do BACEN. (Lei Complementar nº 179/2021, art. 1º)
27. Além da estabilidade de preços, a Lei Complementar nº 179/2021 atribui ao Banco Central do Brasil, como objetivos SECUNDÁRIOS, zelar por quais finalidades?
A LC nº 179/2021 lista como objetivos secundários zelar pela estabilidade e eficiência do sistema financeiro, suavizar as flutuações do nível de atividade econômica e fomentar o pleno emprego; resultado primário, dívida pública e câmbio não são atribuições elencadas nesse dispositivo. (Lei Complementar nº 179/2021, art. 1º)
28. Quais são os três instrumentos clássicos de política monetária utilizados pelo Banco Central do Brasil?
A Lei nº 4.595/1964 (arts. 4º e 10) atribui ao Banco Central os instrumentos clássicos de operações de mercado aberto, depósitos compulsórios e redesconto; resultado primário, câmbio flutuante, meta de inflação e swap cambial não são instrumentos operacionais clássicos de política monetária. (Lei nº 4.595/1964, arts. 4º e 10)
29. Para conter uma inflação em alta, o Banco Central decide atuar por meio de operações de mercado aberto. Qual operação produz efeito contracionista sobre a oferta de moeda?
A venda de títulos públicos pelo Banco Central retira moeda de circulação, produzindo efeito contracionista; a compra de títulos tem o efeito inverso, injetando moeda na economia. (Banco Central do Brasil — operações de mercado aberto)
30. Diante de sinais de superaquecimento do crédito, o Banco Central eleva a alíquota do depósito compulsório incidente sobre os depósitos bancários. Qual é o efeito esperado dessa medida?
Elevar a alíquota do compulsório reduz os recursos livres dos bancos para emprestar, contraindo o multiplicador bancário e a oferta de moeda; compulsório, meta Selic e redesconto são instrumentos distintos e não se alteram automaticamente entre si. (Banco Central do Brasil — recolhimentos compulsórios)
31. O que caracteriza o redesconto como instrumento de política monetária do Banco Central do Brasil?
O redesconto é o empréstimo de liquidez do Banco Central aos bancos; as demais opções descrevem, respectivamente, o arcabouço fiscal, o depósito compulsório e as operações de mercado aberto. (Lei nº 4.595/1964; Banco Central do Brasil — redesconto)
32. O Banco Central eleva a taxa de redesconto ao mesmo tempo em que o Copom eleva a meta da taxa Selic. Considerando o mecanismo de transmissão da política monetária, qual é o efeito conjunto mais provável dessas medidas sobre a demanda agregada e a inflação?
Elevar simultaneamente a taxa de redesconto e a meta Selic encarece a liquidez e o crédito, reduzindo consumo e investimento e arrefecendo a inflação, conforme o canal de transmissão de uma política monetária contracionista; as demais opções combinam efeitos inconsistentes com essa direção. (Banco Central do Brasil — Relatório de Inflação, canais de transmissão da política monetária)
33. Com que frequência ordinária o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne para definir a meta da taxa Selic?
O Copom, criado pela Circular nº 2.698/1996, realiza 8 reuniões ordinárias por ano para deliberar sobre a meta da Selic. (Banco Central do Brasil — Circular nº 2.698/1996; regulamento do Copom)
34. Qual é a diferença correta entre a meta da taxa Selic e a Selic over (taxa Selic efetiva)?
A meta Selic é fixada pelo Copom e serve de referência; a Selic over é a média diária ajustada das operações compromissadas com títulos públicos federais, oscilando em torno da meta — o inverso do descrito na última alternativa. (Banco Central do Brasil — definição da taxa Selic (meta x over))
35. O que caracteriza uma política fiscal expansionista?
A política fiscal expansionista consiste em aumentar gastos públicos e/ou reduzir tributos, elevando a demanda agregada; as demais alternativas descrevem política fiscal contracionista e instrumentos de política monetária. (Teoria macroeconômica da demanda agregada; Secretaria do Tesouro Nacional — política fiscal)